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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Inversão Profunda de Onda T de V1-V4 em Paciente com Tromboembolismo Pulmonar Bilateral Contrapondo Diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio Sem Supradesnivelamento do Segmento ST

Kulchetscki RM, Rompkoski J, Da Silva JCA, Cafezeiro CRF, Pereira MP, Lôbo RE, Neto JCA, Beato Neto VM, Soeiro AM, Oliveira Jr MT
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A abordagem da dor torácica no Pronto Socorro (PS) deve ser padronizada, e a anamnese da dor, o exame físico e os exames complementares – em especial o eletrocardiograma (ECG) – constituem o conjunto de informações necessárias à tomada de decisão. É comum, no entanto, cardiologistas emergencistas raciocinarem de maneira protocolar, provavelmente em vista dos conhecidos protocolos de dor torácica, criados a fim de afastar a síndrome coronariana aguda como etiologia da queixa. Este relato serve de alerta quanto às causas não cardíacas de dor torácica, especialmente em casos com apresentação atípica. Relato: Paciente masculino, 39 anos, vigia noturno, previamente diabético tipo II em uso de Metformina 500mg 2xd. Admitido transferido ao PS do InCor HCFMUSP com relato de dor torácica de início 7 dias antes, tipo pontada, associado a dispneia e sudorese fria. Estava internado em outro PS com hipótese diagnóstica de infarto agudo do miocárdio sem supra de ST, em vista de marcadores de necrose elevados – pico troponina 0,37 (limite superior 0,01) e CK-MB 33 (limite superior 18) – e ECG com inversão de onda T de V1-V5 dinâmica. Na chegada ao InCor, estável hemodinamicamente. Coletados exames e realizado novo ECG (vide imagem). Mantida suspeita, realizado ecocardiograma e cateterismo coronariano, sem alterações. Solicitada ressonância magnética cardíaca para diagnóstico diferencial, que mostrou ventrículo direito com disfunção moderada (FE 33%) e dilatação do tronco pulmonar. Realizado então angiotomografia protocolo tromboembolismo pulomonar (TEP) com achado de falhas de enchimento em artérias pulmonares principais, com extensão para todos os ramos segmentares de todos os lobos bilateralmente. Foi iniciada anticoagulação e observação até o quarto dia de internação, recebendo alta com anticoagulação oral com Dabigatrana. Ambulatorialmente, recebeu diagnóstico de trombofilia, com presença de heterozigose tanto para mutação do gene da Protrombina G20210A como para o gene R506Q do Fator V. Discussão: a dor torácica é de origem não cardíaca em cerca de 50% dos pacientes que se apresentam ao PS com essa queixa. Os achados mais comum no ECG do TEP é a taquicardia sinusal (prevalência de 8 a 69%). O clássico S1Q3T3 está presente em apenas 20% dos casos e ocorre em qualquer causa de cor pulmonale agudo. A inversão de onda T em V1 a V4 é um achado frequente, sendo pouco lembrado, e inclusive tem relação prognóstica. O cardiologista emergencista deve estar atento a outras causas de dor torácica, principalmente em casos atípicos.

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